Luto na imprensa paraibana: morre em Campina Grande o fotógrafo Marcelo Marcos

A imprensa da Paraíba se despede de uma de suas figuras mais admiradas e queridas. Faleceu de causas naturais na noite desta terça-feira (6), em Campina Grande, o fotógrafo Marcelo Marcos da Silva. O profissional da “velha guarda” da imprensa paraibana deixa um legado de décadas dedicadas ao fotojornalismo, com atuação em vários dos tradicionais veículos da era do jornalismo impresso da Paraíba.
Sempre depositário do respeito e da estima dos colegas e de todos que o conheciam, a trajetória pessoal e profissional de Marcelo ficou injusta e indelevelmente ligada a um dos episódios mais polêmicos da história política paraibana: a morte de Raymundo Asfóra, em março de 1987.
Amigo íntimo e frequentador assíduo da Granja Uirapuru, Marcelo viu sua vida mudar drasticamente quando a tese de suicídio de Asfóra foi contestada por peritos. Na época, ele foi apontado como suspeito do crime, chegando a enfrentar o júri popular ao lado da viúva e do caseiro.
Marcelo sofreu durante vinte e seis anos por carregar o estigma infame de ser o assassino de uma das pessoas a quem mais admirava. Somente em 2013 Marcelo Marcos foi formalmente absolvido por falta de provas, livrando-se do peso jurídico que carregou por quase três décadas.
Para quem o conhecia, a acusação de homicídio sempre foi absurda. Sua lealdade a Asfóra atravessou o tempo: até seus últimos dias, o fotógrafo mantinha o hábito de caminhar todos os domingos pela manhã, do bairro da Liberdade até o Cemitério do Monte Santo para visitar o túmulo do amigo.
Apreciador de uma boa cerveja bem gelada, nas rodas de conversas e bate-papos era característico de Marcelo, contrariamente ao ódio ou qualquer sentimento negativo, o bom humor e a descontração através de piadas inteligentes, e a apreciação da boa música, especialmente do seu ídolo Nelson Gonsalves.
Que o amigo tenha o descanso merecido.
Redação
Foto: Reprodução



