Campina Grande, 162 anos: a força da tradição que impulsiona o futuro da “Rainha da Borborema”

Neste 11 de outubro, Campina Grande celebra 162 anos de emancipação política. Localizada no topo do Planalto da Borborema, a segunda maior cidade da Paraíba não apenas olha para o passado de lutas e pioneirismo, mas consolida sua posição como um dos principais motores econômicos, tecnológicos e culturais do interior do Nordeste.
De entreposto comercial de tropeiros no século XIX a celeiro de inovação e polo universitário internacional no século XXI, a “Rainha da Borborema” é hoje uma demonstração vívida de como identidade, sabedoria popular e ciência podem caminhar juntas.
Do feijão ao algodão: as raízes econômicas
A história de Campina Grande começou a se desenhar bem antes do decreto de elevação à categoria de cidade, assinado em 1864. Sua localização estratégica transformou o povoado em parada obrigatória para os tropeiros que cruzavam o sertão em direção ao litoral.
Nas primeiras décadas do século XX, veio o salto definitivo com o “Ciclo do Algodão”. Batizado de “Ouro Branco”, o produto colocou Campina Grande entre os maiores centros exportadores da fibra no mundo, atrás apenas de Liverpool, na Inglaterra. O progresso trouxe ferrovia, energia elétrica, praças vertiginosas para a época e uma arquitetura Art Déco que ainda ornamenta o centro histórico da cidade.
O Vale do Silício do Nordeste: ciência e inovação
Se o algodão foi o combustível do passado, o conhecimento é o propulsor do presente. Campina Grande ostenta um dos maiores índices de doutores por habitante do país e abriga complexos educacionais e tecnológicos de peso, como a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB).
A cidade transformou-se em referência internacional em desenvolvimento de software, inteligência artificial e soluções de engenharia, abrigando parques tecnológicos e incubadoras de empresas que atraem investimentos globais. O ecossistema de inovação local é responsável por exportar talentos e tecnologia ponta de linha para todos os continentes.
O Maior São João do Mundo: a alma de um povo
Falar de Campina Grande sem citar sua veia cultural é impossível. A cidade carrega com orgulho o título de sede do “Maior São João do Mundo”. Durante 30 dias de celebração, o Parque do Povo transforma-se no epicentro da cultura nordestina, reunindo milhões de visitantes ao som do triângulo, da zabumba e da sanfona.
O festejo junino é mais que uma tradição cultural; é uma indústria viva que movimenta a hotelaria, o comércio e a gastronomia regional, gerando milhares de empregos e mantendo viva a memória de mestres como Jackson do Pandeiro e Marinês.
Desafios e perspectivas para os próximos anos
Aos 162 anos, Campina Grande enfrenta os desafios típicos de uma metrópole em expansão: mobilidade urbana, infraestrutura hídrica e desenvolvimento sustentável. No entanto, a vocação pioneira do povo campinense continua sendo sua maior força.
Ao completar mais um ano de história, a cidade reafirma sua essência: um lugar onde o passado dos tropeiros encontra o futuro da inteligência artificial, sem jamais perder o aconchego do seu clima de serra e o orgulho de suas raízes.
Da Redação
Foto: Reprodução




