Direção da Unimed João Pessoa é alvo de denúncia no Ministério Público por negativa de tratamentos e descumprimento judicial

A Aliança Nacional pela Defesa Ética na Saúde Suplementar (Andess) protocolou uma denúncia formal no Ministério Público da Paraíba contra os principais dirigentes da Unimed João Pessoa. A entidade acusa a operadora de planos de saúde de adotar uma política institucionalizada de descumprimento de decisões judiciais, preferindo arcar com multas a autorizar procedimentos de urgência e tratamentos de alto custo, como quimioterapias, cirurgias complexas e transplantes. Diante da gravidade das acusações, o documento pede a prisão preventiva de três gestores da empresa: o presidente do Conselho de Administração, Gualter Lisboa Ramalho; o diretor de Provimento de Saúde, Ricardo Wanderley Queiroga; e o gerente de Auditoria, Valdir Delmiro Neves.
Segundo os argumentos apresentados pela Andess, o impacto financeiro das liminares judiciais era tratado internamente pela operadora como uma mera despesa operacional. A representação sustenta que o padrão de conduta priorizava critérios econômicos em detrimento da vida dos pacientes, configurando uma desobediência reiterada que expunha pessoas em estados graves a risco iminente de morte. Entre os casos detalhados no processo está o de uma paciente com leucemia mieloide aguda que necessitava de um transplante urgente de medula óssea; a denúncia aponta que a empresa teria simulado o cumprimento da ordem judicial com agendamentos fictícios, o que gerou um bloqueio posterior de R$ 265 mil em suas contas bancárias sem que o procedimento fosse de fato realizado.
Em virtude desses episódios, a entidade solicita que os envolvidos sejam investigados pelos crimes de desobediência e de exposição da vida ou da saúde a perigo. Além disso, pede a aplicação da tese jurídica de dolo eventual, argumentando que a diretoria assumia conscientemente o risco de causar a morte dos usuários ao negar os atendimentos necessários. Em contrapartida, a Unimed João Pessoa emitiu uma nota oficial repudiando veementemente as alegações, classificando a denúncia como inverídica, leviana e sem qualquer fundamentação técnica ou jurídica. A operadora declarou ainda que acionará a Justiça para responsabilizar legalmente os autores pelas acusações.
Da Redação
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