Foragido por dois feminicídios em Alagoas, homem mata nova mulher no Recife

Natelson Venâncio da Silva Filho, que se identificava como Jair, assassinou Elisângela Borges da Silva com 16 facadas e está foragido
O terror da violência contra a mulher ganhou mais um capítulo brutal na capital pernambucana. Foragido da Justiça por dois feminicídios cometidos em Alagoas, Natelson Venancio da Silva Filho, 39 anos, matou mais uma vítima: Elisangela Borges da Silva, de 38 anos, na Vila dos Milagres, bairro do Barro, na Zona Oeste do Recife.
O crime foi cometido com extrema crueldade: 16 facadas, boca amordaçada para impedir pedidos de socorro, e fuga sem deixar rastros.
Agora, a polícia corre para capturar o suspeito, que já carregava dois mandados de prisão pelo mesmo tipo de crime, ainda sendo investigado por outros, como homicídio.
CRIME CHOCOU VIZINHANÇA DO BAIRRO DO BARRO
Auxiliar de serviços gerais e muito querida pelos vizinhos, Elisângela Borges vivia há anos no Barro. Há cerca de um ano, ela se relacionava com o autor do crime, mas nunca tinha visto sua identidade.
O namoro, porém, era conturbado: agressões constantes, ameaças e ciúmes doentio, sobretudo quando o homem bebia.
De acordo com relatos da família, na tarde do crime, Elisangela e Natelson discutiram. Ele a levou para casa, trancou a porta e a manteve em silêncio forçado — colocou um pano na boca dela para impedir gritos de socorro.
As horas passaram, e a ausência da mulher, que sempre interagia com vizinhos, começou a chamar atenção.
Ao olharem pela janela, moradores avistaram Elisangela desacordada em cima da cama, coberta de sangue.
Com ajuda da vizinhança, a porta foi arrombada. Ela foi encontrada com múltiplas perfurações no corpo. Ainda foi socorrida para a UPA da Lagoa Encantada, mas não resistiu.
O caso foi abordado no Jornal da Tribuna 1ª Edição, comandado por Artur Tigre. A entrevista com familiares e amigos foi de Rafaella Pimentel.
“Ela deu o último suspiro dentro do carro. Eu pensei que ela ia viver, mas foi o suspiro da morte”, contou, emocionada, a irmã da vítima, Edneide Borges da Silva. De acordo com os médicos, ela morreu de choque hipovolêmico, que acontece quando a vítima perde muito sangue.
RELACIONAMENTO MARCADO POR AGRESSÕES
O histórico de violência era conhecido pela família e pelos amigos. Edneide, que morava ao lado da irmã, relatou que intervinha sempre que ouvia gritos.
“Toda vez que ele queria fazer malvadeza com ela, ele trancava ela, batia. E eu sempre escutava e vinha socorrer. Só que dessa vez eu não consegui escutar nada, porque ele tinha botado um pano na boca dela”, disse.
Ao longo do relacionamento, Elisângela sofreu agressões não apenas dela, mas também ameaças contra a mãe e a irmã.
“Ele queria bater em mim, queria bater na minha mãe. Era muito agressivo, principalmente quando bebia”, completou Edneide.
IDENTIDADE FALSA ESCONDE PASSADO CRIMINOSO
Quando conheceu Elisangela, Natelson se apresentou como “Jair”. Alegava não ter documentos e nunca revelou seu verdadeiro nome. A verdade veio à tona apenas depois de sua morte, quando a polícia encontrou documentos escondidos.
“Ele se apresentou como Jair. A gente descobriu depois que ele tem dois feminicídios em Alagoas e está com dois mandados de prisão abertos”, revelou Edneide.
Além dos feminicídios, o homem também responde por outros crimes e é investigado em outro homicídio. Sua verdadeira identidade, Natelson Venâncio da Silva Filho, só foi descoberta após a tragédia.
FILHA DE ELISÂNGELA, DE SETE ANOS, FICA ÓRFÃ
A morte de Elisângela deixou uma filha de apenas 7 anos órfã. A menina está sendo acolhida pela família e pelos vizinhos, que prometem garantir o cuidado e o amparo.
O nome da garotinha não será revelado.
“É uma família que eu nunca tive, e eu quero justiça. Que ele vá pra cadeia”, desabafou uma amiga da vítima.
MEDO E AMOR EM UMA RELAÇÃO MARCADA PELA VIOLÊNCIA
Edneide relata que a irmã queria se separar, mas o medo a impedia. “Provavelmente ela tinha medo dele, porque ela não contava nada pra gente. A roupa estava sempre arrumada pra ir embora, mas ele nunca ia.”
Segundo a irmã, Elisângela chegou a registrar boletins de ocorrência contra o agressor, mas o ciclo de violência se repetia: ele voltava “com pele de cordeiro”, como descreveu a família, e a convencia a reatar.
“Ela morreu por amor demais. Ou medo”, lamentou Edneide.
POLÍCIA INVESTIGA E BUSCA FORAGIDO
O caso foi registrado no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que agora concentra esforços para localizar Natelson.
Sem documentos verdadeiros e já acostumado a usar nomes falsos, a localização do suspeito é considerada prioridade.
A Polícia Civil informou que as investigações estão avançando e pediu o apoio da população para qualquer informação que leve ao paradeiro do foragido.
Quem tiver informações pode fazer denúncia anônima pelo telefone 197.
Fonte: Tribuna Online
Foto: Reprodução




